Segue abaixo, na íntegra, o resumo da tese de doutorado do Claudio Alves Benassi.
A escrita de sinais não é uma unanimidade entre os profissionais da área da língua de sinais. Sua importância para o desenvolvimento cognitivo do sujeito visual (surdo) é ainda ignorada, sendo que muitos sequer a admitem como possibilidade de registro eficaz. A VisoGrafia surge nesse cenário de descrédito como uma resposta a uma necessitância da sala de aula e do ensino de escrita de sinais no curso de Letras-Libras, no qual atuo como professor. Na minha prática de ensino-aprendizagem, percebi que o sistema de escrita de sinais mais conhecido, o Sign Writing (SW), é pouco viável para o ensino por conter 982 caracteres; o sistema por mim utilizado, a Escrita das Línguas de Sinais (ELiS), é rejeitado por ser muito abstrato: diante disso, surge a VisoGrafia como o objeto da presente pesquisa, cujo principal objetivo é a criação de um sistema de escrita de sinais visual, de fácil memorização/mobilização no processo de grafia e de leitura e com baixo número de grafemas. O sistema foi desenvolvido em três fases: seleção de caracteres; estruturação e sistematização; e aplicação no processo de ensino-aprendizagem. Após a última fase, o sistema passou por duas etapas de melhorias que aprimorou o sistema e o processo de grafia, tornando-o mais visual. Atualmente, o sistema que nasceu com 64 visografemas conta com apenas 37, sendo, portanto, o sistema de grafia com menor número de visografemas que circula no Brasil. Tendo como principais bases teóricas os pensamentos linguísticos de Saussure, no que tange à noção de sistema e de Bakhtin no que diz respeito à dialogia, o problema identificado foi analisado, processo que indicou a necessidade de orientar a criação da VisoGrafia pelos pressupostos de dupla articulação da linguagem, propostos por Martinet. Assim, descrevi minuciosamente a língua de sinais na primeira articulação (nível morfêmico) e na segunda articulação (nível paremolôgico). Tal aplicação exigiu uma nova concepção de língua(gem), bem como uma nova concepção linguística estrutural da língua de sinais representada pela sequência: enunciado; sinalema – sinalico mórfico, sinalico distintivo; paragêneo (parâmetro); parema; feixe visual. Assim sendo, foi possível compreender e aplicar o princípio da dupla articulação da linguagem humana na língua de sinais. Dentre os experimentos realizados, executei a grafia de três textos, sendo eles: uma agenda, um bilhete e um poema. Esses provam a viabilidade da grafia da língua de sinais por meio da VisoGrafia, independente do gênero escrito. A viabilidade da leitura também foi experimentada por meio da leitura do resumo de um artigo científico escrito em VisoGrafia, realizado por duas acadêmicas de Letras-Libras. Por último, vale ressaltar que a VisoGrafia foi aplicada no processo de ensino-aprendizagem em curso de extensão e em disciplinas de escrita de sinais em cursos de Letras-Libras. Os estudantes escreveram e leram sinalemas com duas aulas apenas, sendo que em oito escreveram textos: dados que mostram que a VisoGrafia é um sistema de fácil aprendizagem.
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Fonte: UFMT
