História do SignWriting

Atualizado em 03/10/2022

Valerie Sutton

SignWriting… Esse incrível sistema que mostra a escrita das línguas de sinais, foi criado em 1974 pela americana Valerie Sutton, que reside atualmente na Califórnia, Estados Unidos. Ela era bailarina e desenvolveu o DanceWriting, um sistema para ler e escrever o movimento do corpo, quando tinha apenas 15 anos. Quatro anos depois, ela ingressou no Royal Danish Ballet, companhia de balé clássico de renome internacional, sediada em Copenhague, na Dinamarca.

Nos anos seguintes, aplicou seu sistema para preservar as históricas Bournonville Schools, um sistema de balé usado pelo Royal Danish Ballet, que corriam o risco de serem esquecidos por falta de anotação. O primeiro livro sobre DanceWriting, Sutton Movement Shorthand, The Classical Ballet Key, Key One, foi produzido em dezembro de 1973. No ano seguinte, no outono de 1974, ela ensinou Sutton DanceWriting aos membros da renomada companhia.

DanceWriting – Escrita de movimentos de dança

No mesmo ano, artigos sobre o sistema DanceWriting de Sutton chamaram a atenção de pesquisadores da Universidade de Copenhague que estavam à procura de algo que pudesse “’transcrever’’ a língua de sinais. Lars van der Leith e sua equipe, ao se depararem com o sistema DanceWriting, solicitaram à Sutton que desenvolvesse uma versão de sua notação de movimento, adaptando-a ao registro de línguas de sinais. Assim, inspirado no sistema escrito de danças, foi possível desenvolver o SignWriting, sendo usado pela primeira vez para escrever a língua de sinais dinamarquesa, expandindo-se posteriormente para escrever qualquer língua de sinais do mundo. Dessa forma, a década de 70 foi marcada pela transição do DanceWriting para o SignWriting.

O primeiro workshop sobre o sistema que revolucionou a comunicação dos surdos, sistema SignWriting, foi organizado em 1977 pela Dra. Judy Shepard-Kegl, para a Sociedade de Linguística de New England, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Nesse mesmo ano, a companhia do Teatro Nacional de Surdos foi o primeiro grupo de surdos adultos a aprender sobre o sistema, observando-se, desde então, progressivos avanços desse sistema de escrita, que passou a ter grande visibilidade a partir da publicação da primeira história escrita em SignWriting: Goldilocks and The Three Bears (Cachinhos Dourados e os Três Ursos).

Na década de 80, verifica-se uma enorme expansão do SignWriting através da participação de Valerie Sutton no Simpósio Nacional em Pesquisa e Ensino da Língua de Sinais, ocasião em que apresentou um trabalho sobre a forma de analisar a língua de sinais americana, bem como qualquer outra língua de sinais, sem a necessidade de traduzi-la por meio da língua oral. Desse modo, assim como o latim é a língua da qual originou a maioria dos idiomas europeus, tais como o português, o francês e o italiano, o SignWriting é um código internacional que permite sua adaptação em qualquer idioma.

O primeiro jornal em SignWriting foi escrito à mão nos anos 80, da mesma forma como a história registra a escrita dos monges antes da existência da imprensa. Porém, em pouco tempo, o SignWriting saiu do papel para o computador, disseminando rapidamente a sua divulgação. Atualmente, encontramos várias publicações literárias e podemos perceber que esse sistema está sendo cada vez mais “espalhado” nos quatro cantos do planeta. 

Assim, através do computador, o SignWriting começou a se tornar muito mais popular, sendo que o sistema atual não apresenta mais o mesmo formato que o sistema criado em 1974. Houve uma grande evolução do SignWriting ao longo dos anos em razão das adaptações feitas pelos usuários através desse sistema processado.

A título de curiosidade, vale ressaltar que Valerie Sutton continuou a trabalhar em tempo integral com SignWriting desde 1981, publicando o Jornal SignWriter de 1981 a 1984, trabalhando com Lucinda O’Grady Batch para coordenar o DAC (Deaf Action Committee for SignWriting), com Richard Gleaves, para auxiliar no desenvolvimento do Programa de Computador SignWriter e com Darline Clark, para desenvolver histórias infantis escritas em ASL (Língua de Sinais Americana).

O grupo esteve ativo de 1988 a 1998 e apesar do DAC não atender mais, o trabalho que foi realizado continua vivo, pois nesse período, surdos fluentes em ASL de várias localidades se reuniram em La Jolla, Califórnia, para preparar livros, dicionários, vídeos e softwares de escrita de sinais, e apresentar demonstrações de palestras e workshops. Sutton é a única designer e webmaster de dois sites: o SignWriting e o DanceWriting.

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